Quase 140 homens alagoanos já sofreram amputações por causa de câncer nos órgãos genitais
18 de Abril de 2011 09:06Sidléia Vasconcelos
Urologista Humberto Montoro alerta que os homens que têm fimose correm mais risco de ter a doença
Falta de higienização e a demora na procura por assistência médica são alguns fatores que têm levado muitos brasileiros a amputação do órgão sexual. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estima-se que cerca de mil pênis são amputados anualmente e três mil homens têm câncer no órgão sexual. Segundo levantamento feito pelo SUS, a amputação do órgão cresce cerca de 10% por ano em todo o país. Dados do Ministério da Saúde apontam que em Alagoas são cerca de 1,84% de todos os casos de câncer de pênis. Estima-se que uma média de 138 alagoanos já tiveram seus órgãos amputados - total ou parcialmente - após diagnóstico de câncer em estágio avançados. Segundo o urologista Humberto Montoro, cerca de 50% dos pacientes com câncer de pênis demoram mais de um ano para procurar assistência médica após o aparecimento das lesões iniciais. “O diagnóstico precoce, na maioria dos casos, evita o crescimento local da doença e a posterior amputação do pênis, com conseqüências físicas, sexuais e psicológicas ao homem”, expõe. Montoro revela que a incidência de homens que tiveram seu pênis amputado é maior no Hospital Universitário. “No consultório privado é muito raro aparecer casos de amputação. Tratamos um número considerável no HU e muitas vezes, a doença está muito avançada, chegando a fazer amputação total do pênis. Na fase inicial, uma pequena úlcera quando retirada com margem de segurança, consegue-se manter o pênis”, esclarece o especialista. De acordo com Montoro, o carcinoma peniano é uma doença ainda pouco estudada por ser rara em países desenvolvidos. Estudos mais recentes vêm permitindo a identificação de novos fatores de risco para o CP, outrora desconhecidos, como a infecção persistente pelo HPV. Incidência O tumor peniano se desenvolve, preferencialmente, em homens de baixa renda, não circuncisados (que não fizeram a retirada do prepúcio), de cor branca e que não procuram assistência médica especializada logo ao notar o surgimento das primeiras feridas. Segundo dados do Sistema Único de Saúde, 81,62% dos casos ocorrem em homens acima de 46 anos de idade. “Existe um relação entre o baixo poder sócio-econômico e o câncer de pênis. A doença pode ser contraída através de infecções crônicas no pênis por falta de higiene diária”, coloca Montoro. Um estudo realizado pela Sociedade de Urologia mostra que as regiões onde há maior incidência de câncer de pênis são Norte e Nordeste. Alagoas apresenta cerca de 3,31%, a incidência é maior nos homens com mais de 66 anos, uma média de 39,71%. Na região Norte-Nordeste, a doença representa 16% dos tumores malignos na população masculina. Já na Europa e América do Norte ocorre um caso para cada 100.000 homens adultos. Prevenção O câncer peniano tem como origem a falta de higienização dos órgãos sexuais. Para evitá-lo basta lavá-lo com água e sabão. Um dos principais problemas deste tipo de neoplasia é a fimose (doença que impede que a glande do pênis seja exteriorizada e possa ser limpa corretamente). Vale ressaltar que os portadores de fimose têm uma chance três maior de contrair a doença, uma vez que o esmegma (uma substância produzida na glande) em contato permanente com o pênis pode provocar inflamações crônicas que levam à doença. “Fazer a cirurgia da fimose precocemente é uma das formas de se prevenir a doença (nos judeus, que fazem a circuncisão ao nascer, não é encontrado o câncer de pênis)”, explica Montoro. “O melhor tratamento é a prevenção. Desta forma, o aparecimento de lesões penianas de crescimento progressivo e que não cicatrizam, devem ser avaliadas pelo especialista para evitar o pior, a amputação, que acontece nos casos avançados”, finaliza Montoro.
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