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“Londres ou em uma cidade pequena em Alagoas, o que eu quero é me sentir bem”

14 de Maro de 2011 09:38

Sidléia Vasconcelos e Marinete Barros

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“Londres ou em uma cidade pequena em Alagoas, o que eu quero é me sentir bem”

“Quero mesmo poder influenciar pessoas de pouco recursos, quero mostrar para elas que eu sou um filho da mesma situação, quero que vejam como podem mudar de vida”. Com essa frase o alagoano Wesley Barbosa, hoje diretor de marketing de uma empresa chinesa, resume o que pensa a respeito de criar e atingir metas. O Jornal Alagoas em Tempo mostra com exclusividade a história desse jovem de 24 anos que superou a barreira do preconceito para chegar onde está hoje. Vindo de uma família simples, de poucos recursos financeiros, não mediu esforços para ir à busca de seus ideais. Foi após um Intercâmbio no exterior que as coisas começaram a mudar para Wesley e, de coordenador de marketing de um supermercado da capital alagoana, faz carreira no exterior, tornando-se o mais jovem no mundo a ocupar um cargo de diretor de marketing global. Alagoas em Tempo – Como foi a sua infância e adolescência? E a formação educacional? Wesley Barbosa – Minha adolescência, digamos que entre os 14 e os 17 anos, foi de poucos recursos, mesmo que nada tenha me faltado no quesito alimentação e moradia. Comecei a estudar inglês aos 13/14 anos. Vi a maioria dos meus amigos entrarem nas drogas e no mundo do crime; alguns deles, inclusive, morrerem. Comecei a trabalhar aos 17, como professor de inglês para supletivo, terminei meus estudos e passei na Federal de Alagoas em Artes Cênicas. Acho que de todas as fases da minha vida; minha adolescência foi a que as pessoas mais desacreditaram em mim, eu era visto como um adolescente rebelde e mal comportado, mas com excelentes notas no colégio, isso me deu um equilíbrio. Lembro-me muito bem, que na quarta série eu fui o único a tirar nota azul em uma prova de matemática, pela primeira vez eu descobri o respeito e que ele poderia me levar mais longe do que eu pudesse imaginar os estudos para mim tinha acabado de se tornar meu maior pilar. A. T. - Quais foram as pessoas (entre familiares e amigos) que mais deram força? W. B. – Foram muitas pessoas importantes para mim, mas Karina Beltrão, Marlene Barbosa, Rita de Cássia e Benedita Barbosa, foram as pessoas que me levaram no braço, que brigaram com o mundo em minha defesa, que construíram meu caráter e me permitiram sonhar. A. T. – Onde se qualificou profissionalmente, e em que ano? W. B. – Estudei Artes Cênicas na Ufal em 2004 e no mesmo ano passei em Administração em Marketing na FAL. Desisti de ser ator para ser Administrador, me formando em 2008. No mesmo ano entrei na Fundação Getúlio Vargas, onde estudei MBA em Marketing. No ano de 2009 fiz minha primeira viagem internacional, onde estudei English for Business na Irlanda. A. T. – Quais foram os seus empregos no Brasil? E como tudo começou? W. B. – Trabalhei como professor de supletivo aos 17 anos, depois fui atendente de telemarketing aos 18, vendedor da compra certa Brastemp nas ruas quentes de Maceió, aos 19 fui estagiário do Centro de Convenções de Maceió e professor de informática da Microlins. Ainda aos 19 fui estagiário da Recruitment (empresa de recrutamento e seleção). Aos 20 fui designer em uma agência de publicidade do estado (onde chorava todos os dias por odiar meu emprego, até que um dia recebi um e-mail de um amigo que trabalhava no Palato Supermercado), uma newsletter de vinhos onde seu nome estava assinado no final junto com o cargo ‘Coordenador de Relacionamento’. – Ao admirar o nome do meu colega de faculdade meu chefe entrou na sala e me questionou sobre o porquê de eu estar olhando algo sobre vinhos, respondi que não era o vinho que me chamara atenção, mas o cargo de alguém tão jovem, eis que ele me replicou: Aqui em Alagoas só se vence por dois caminhos: Ou você conhece alguém que te indique ou você é filho de alguém importante. Não dei ouvidos a ele, e exatamente um ano depois, aos 21, sentei em uma cadeira preta, com um computador na minha frente e um e-mail aberto. O e-mail era o meu, da empresa que eu acabara de entrar e o cargo era ‘Coordenador de Relacionamento do Palato Supermercado‘, eu me tornara o sucessor do amigo que eu admirei. Isso até hoje me faz pensar em uma frase do filme ‘Meu nome não é Johnny’: “o verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos“. A. T. – Com o que sonhava antes dessa virada na vida? W. B. – Nunca imaginei chegar onde estou tão rápido, mas fazia parte dos meus sonhos ir além dos limites, só que acabei descobrindo que não há limites, não há segredos. Pois tudo o que existe somos nós quem damos tamanho, medos, desejos, sonhos. Eu quis ser ator de Hollywood, mas todos riam de mim, como se isso fosse algo de outro mundo. O meio que cresci não me faz pior que os outros, isso sempre foi claro para mim, por isso a vontade me fez mais forte, eu sempre quis ser grande, e ainda quero, e por ter a certeza de que ainda não fiz muito, e que tudo que fiz eu devo aos outros, é que continuo a lutar. Na faculdade sonhei em ser uma referência para meus colegas, dentro de casa. A. T. – O que lhe fez sair de Alagoas e como aconteceu? O que passou lá fora? W. B. – Sair daqui não foi fácil, tive apoio de poucos e descrença de vários ‘coloque teus pés no chão‘, era o que mais ouvia. Juntei dinheiro durante 12 meses, dei consultorias e busquei tempo onde não tinha. Fui à Irlanda para passar 30 dias apenas, estudar negócios. Eu me realizei quando consegui entrar no avião, mas meu corpo estava indo e meu coração ficando. Foi doloroso, mas a dor mudou a minha vida. Foi saindo de Alagoas que as coisas aconteceram; que eu consegui colocar para fora a pessoa que eu buscava ser. De desacreditado passei a ser aquele que sonha e que busca. Mais uma vez o respeito das pessoas veio até mim e isso foi confortante, é muito importante ser reconhecido por aqueles que amamos. A. T. – Como foi que começou a vida no exterior? E a Beijing? É (era) o mais jovem nessa função no mundo? W. B. - Ao chegar a Londres fiquei na casa de um conhecido e lá, apresentei minha palestra de Neuromarketing para ele, seu nome é Alex, acabei descobrindo que ele era diretor de uma empresa de consultoria de RP para bancos, a Fin International. Alex me falou que precisava de mim, eu trabalhei em Londres durante 6 meses, como Trainer de Marketing. Fui à negócios para Escócia, França e Espanha. Voltei ao Brasil com um sonho de ser trainer aqui, mas fui negado em mais de 15 empresas. Viajei várias vezes para outros estados, mas mesmo assim não consegui nada. Finalmente decidi me reinventar, fui fazer um intercâmbio de negócios na China, trabalhei em um empresa Canadense, a Sictec, por 3 meses, como consultor internacional, mas não foi um experiência da forma que esperava, decidi voltar ao Brasil, entrei no metrô depois de pedir para sair da empresa, o telefone toca, era a Beijing Elex, pronta para mudar a minha vida. Tornei-me Diretor Global de Marketing, não sei se o mais jovem do mundo, mas acho que sim, dificilmente alguém de 24 anos assumiu uma posição destas no mundo, pelo que sei sou o mais novo mesmo. Mas não parou por ai, através da rede social para executivos o ‘Linkedin‘ Per Bersson, um executivo Americano que trabalha na maior concorrente da Elex, a Happy Elements, me convidou para um jantar, nos conhecemos, ele me mostrou a empresa, e eu me apaixonei pela filosofia de vida deles. Hoje sou Executivo de Operações Globais da Happy Elements, e minha função é espalhar a felicidade através dos nossos jogos. A. T. – Atualmente mora em que cidade? Qual estilo de vida leva? W. B. – Moro em Pequim, capital da China. Vivo uma vida muito diferente da que sempre tive, mudança radical, inimaginável. Viajo muito. Vou a vários restaurantes de vários países, muitas boates e diversões que nunca tive. Hoje levo uma vida leve e sem muitos problemas. Digamos que colho muito do que plantei, ao mesmo tempo em que continuo plantando. Não estou milionário, muito longe disso, pois dinheiro não é tudo, mas a mudança que minha vida sofreu foi suficiente para me trazer uma liberdade de realizações muito grande. Meus sonhos cresceram, meus objetivos estão mais fortes. Meu sonho é virar um CEO de referência no mundo e fazer meu doutorado em Harvard ou na London Business School. A. T. – Como se sentiu ao ser entrevistado pela Você s/A (como aconteceu o contato com a revista, o que a matéria trouxe de impacto para a vida profissional e social dele)? W. B. – Quando recebi o convite para ser entrevistado eu não acreditei, o jornalista ligou para casa da minha mãe, aqui no Brasil e fez as primeiras perguntas. Buscou informações até a China, sobre mim. Me emocionei durante as fotografias. Foi uma emoção enorme sair na revista que eu tomei como referência toda minha vida. Pensei comigo que aquilo era um símbolo, o símbolo da mudança, que minha vida acabara de dar um passo longo para frente e que a mudança seria brusca. A. T. – E como se sente em relação a Alagoas? W. B. – Feliz e triste. Alagoas é minha casa, me sinto muito bem, as cores daqui são apenas daqui. O cheiro, as pessoas, o mar. Mas me sinto inseguro. As pessoas me conhecem e vêm falar comigo sobre meu trabalho e perguntam sobre como é viver na China. Isso é maravilhoso. Fui o primeiro alagoano a sair na Você S/A, pelo que soube, eles me falam isso. Os profissionais daqui estão se desenvolvendo muito, sendo reconhecido, ganhando prêmios. A TENGU e a ID5, são empresas que estão me ajudando a levar minha história para todos. Nos unimos para fazer um site que mostrará às pessoas como é o dia a dia de um executivo, e o que é preciso fazer para ter uma carreira internacional. Quero mesmo poder influenciar pessoas de pouco recursos, quero mostrar para elas que eu sou um filho da mesma situação, quero que vejam como podem mudar de vida. A. T. – Hoje, é muito assediado por outras empresas? W. B. – Recebo muitos convites de outras empresas, mas quero aprender mais lá fora. Ainda não é o momento de voltar. Se pudesse moraria aqui em Alagoas, mas não acho que eu encontre algo que me agrade, profissionalmente. No final do ano vou pensar no próximo passo, mas por hora, quero mesmo morar na China. Cheguei nesse pai maravilhoso e longe do meu mundo no Brasil, quero valorizar e sentir isso merecidamente. Não me importa se trabalho em Pequim, Londres ou em uma cidade pequena em Alagoas, o que eu quero é me sentir bem e ter meu trabalho valorizado. A. T. – Quais os planos para o futuro? W. B. – Penso em continuar a morar na China agora, durante mais uns 2 anos. Fazer outro MBA por lá, aprender melhor a língua, gerar mais contatos. Estou lançando uma empresa de vendas online em breve, onde venderemos produtos da China para Alagoas, inicialmente. Penso em voltar ao Brasil, em viver aqui, vai depender apenas de como o Mercado estará e de como ele me receberá no futuro. O Brasil é o Brasil, é o melhor país do mundo para quem mora fora, a gente vive querendo voltar, mas para ganhar um respeito maior e ser aceito a gente tem mesmo que viver for a um bom tempo, só assim a gente pode ser visto com outros olhos.

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