Notificação de transplantes em Alagoas está muito abaixo da média nacional
15 de Fevereiro de 2012 11:00Sidléia Vasconcelos
Foto: Alagoasemtempo
As notificações de transplantes em Alagoas estão muito abaixo da média. Em 2011 a Central de Transplante do estado registrou apenas 11 notificações por morte encefálica e 3 doações, índice considerado baixíssimo. “Para atingir a média nacional o ideal seria 30 por ano. O grande problema é a notificação, e isso é problema do hospital”, ressalta o coordenador da unidade, Carlos Alexandre.
O coordenador explica que o papel da central e receber as notificações, organizar a captação e ordenar os órgãos. “Não é uma unidade hospitalar e nem assistencialista. Funcionamos de forma administrativa. Não recebemos órgão”, afirma acrescentando que toda morte encefálica deve ser notificada.
“Mas o trabalho não se resume apenas em notificar, mas sim em buscar doadores. Nos hospitais têm equipe para buscar essas pessoas”, pondera Alexandre.
Alexandre explica, ainda, que na morte encefálica, os órgãos estão bons, mas o encéfalo está morto. “Já em casos de coração parado, neste caso só pode doar os tecidos, e as córneas”, acrescentando que a família pode ou não autorizar a doação.
Segundo dados da central de transplante, existem 50 pessoas ativas na fila de espera para doação de córneas; 400 de rins e um para coração. “Em 2077 foram 320 ativos para córneas”, lembra o coordenador.
O médico lembra que a qualquer momento a família pode desistir da doação. “Os fatos que falam, não acredito que as campanhas tenham um resultado produtivo, que deveria. Depois do caso Eloá, depois, o índice de transplantes triplicou em todo o Brasil”, lembra.
Questionado se as famílias ainda ficam receosas em autorizar a doação, Alexandre foi sucinto “a família tem se mostrado solícita. A ‘culpa’ não é da família, mas sim do hospital. Tem que mudar o foco. Ainda há uma grande resistência, mas isso está dentro da unidade de saúde”, coloca acrescentando que falta estrutura, interesse e de disposição.
Dados do Ministério da Saúde aponta um crescimento na doação de órgãos, assim como o crescimento sustentado de transplantes, em todo o Brasil. O número de doadores efetivos cresceu 14% em um ano. Em 2010, foram registrados 1.896 doadores contra 1.658 em 2009. Com esse desempenho, o Brasil atingiu a marca histórica de 9,9 doadores por milhão de pessoas (pmp); este aumento se deu ao fortalecimento do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e à contribuição cada vez maior de recursos no setor.
Dados
A média nacional de doações de 2010 (9,9 pmp) apresentou um aumento de 13,8% em relação a 2009, quando o índice era de 8,7 PMP. Nos últimos sete anos, a média de crescimento anual tem sido de 7%.
Alguns estados, a exemplo de Santa Catarina e São Paulo, mantêm índices de doações próximos aos de países altamente desenvolvidos no setor, como Espanha e Canadá, que mantêm médias acima de 20 doadores PMP. Os índices de doações de Santa Catarina e São Paulo são, respectivamente, de 17 e 21 PMP.
Segundo pesquisas, estatisticamente, é cinco vezes mais provável depender de um transplante do que se tornar um doador.
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