"Não agüento mais a advocacia criminal que eu tanto amava, quando a lei era rigidamente cumprida”, desabafa advogado
25 de Novembro de 2011 10:05Sidléia Vasconcelos
Foto: Cortesia
O advogado criminalista, Raimundo Palmeira, usou sua página em uma de suas mídias sociais para fazer um desabafo e mostrar sua tamanha decepção em relação a forma como a justiça alagoana vem atuando. Diante da ‘insatisfação’, Palmeira pensa em abandonar a advocacia criminal, porém continuará a estudar o crime e a ensinar as ciências penais.
“Os Tribunais não analisam mais nossas fundamentações nem exigem os requisitos às prisões. Os clientes buscam outros advogados e nos responsabilizam por sua não soltura, e alguns colegas antiéticos aceitam pegar carona como papagaios de piratas nos nossos pleitos já efetivados”, escreveu acrescentando que prende-se por qualquer coisa e se concede pulseiras e tornozelieras ao invés de revogar as prisões desnecessárias.
“Não aprendi assim, aprendi que prisão é medida excepcional, não ensinei assim. Vou advogar no cível; recomeçar no empresarial e me dedicar mais à defesa do Município na minha procuradoria. O amor pelo Direito Criminal permanecerá somente no campo cientifico de pesquisa e magistério. Não agüento mais a advocacia criminal que eu tanto amava, quando a lei era rigidamente cumprida”, desabafou Palmeira.
Palmeira afirmou que irá mostrar a nível nacional, como está a advocacia criminal em alagoas. “Não sei se vou conseguir, mas minha desistência poderia melhorar para os mais jovens, porque onde tenho andado está ruim, mas em Alagoas é o pior. O advogado não tem tido em seus argumentos muito valor; é falar ao vento, e isso cansa. Tenho visto pessoas vocacionadas à acusação julgarem, pessoas brilhantes, mas muito jovens julgarem vidas. Julgar é mais um ato de vivência e imparcialidade do que de conhecimento do direito”, declarou.
"O advogado não tem tido em seus argumentos muito valor; é falar ao vento, e isso cansa", declara.
Ele ainda acrescenta: “Falar, escrever e ninguém ler, para ser palhaço?!”, questiona acrescentando que segredo de justiça é só para advogado. “A polícia divulga na imprensa, material sigiloso, e o pior, parcialmente, - como no caso da prefeita -, e o advogado se falar sobre o material que a polícia não falou é processado. O crime de quebra de segredo de justiça é de ação pública incondicionada. Fica por isso mesmo”, alega.
Palmeira garantiu que, caso, venha realmente desistir da atuação na área criminal, tentará terminar os processos onde está atuando. “Isso se os clientes não me tirarem antes. Tenho cliente preso há seis meses sem formação de culpa. Tenho cliente, mulher presa preventivamente, doente que pode morrer, cometer suicídio se não for solta até dezembro e não tenho onde recorrer. Mas vou continuar ensinando o que é certo, mesmo que teimem em me desmentir por aí afora em alguns julgamentos. Vou continuar dizendo que prender pela repercussão fragiliza o cidadão e a democracia, mesmo que continuem mantendo prisões pela gravidade do crime. Um dia a democracia vence”, finalizou.
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