ERA DA INCERTEZA - Os Profetas e a Promessa do Capitalismo Clássico - (Condensado do livro de Jonh Kenneth Galbraith). Divaldo Suruagy
Numa das derradeiras páginas de seu último e mais famoso livro, John Maynard Keynes - por unanimidade considerado o mais influente economista deste século - fez a observação de que “... as idéias dos economistas e dos filó¬sofos políticos, tanto quando estão certos como quando estão errados, são muito mais poderosas do que normalmente se imagina. Na verdade, o mundo é governado quase que exclusivamente por elas. Homens práticos, que se julgam imunes a quaisquer influências intelectuais, geralmente são escravos de algum economista já falecido”. Isto foi escrito em 1935. Pensando então na oratória de Adolf Hitler, de Joseph Goebbels e Julius Streicher, que na época estavam na moda, e de Alfred Rosenberg e Houston Stewart Chamberlain, de cujas obras aqueles oradores extraíram suas doutrinas racistas, aduziu Keynes: “Loucos pelo poder, que ouvem vozes no ar, estão destilando seu delírio de algum escrevinhador acadêmico de uns poucos anos atrás”. Então surgiu a sua afirmação solene: “... o poder de interesses escusos é muito exagerado quando comparado à gradativa usurpação das idéias”.
Keynes proporciona a oportunidade de se examinar as idéias que inter¬pretam o moderno capitalismo - ou o moderno socialismo - e que dirigem as nossas ações por conseqüência. É de se presumir que se saiba pelo que se é governado.
Isso é verdadeiro, embora Keynes tenha exagerado em sua argumen-tação. Pois que, em assuntos econômicos, as decisões não são influenciadas somente por idéias e interesses econômicos escusos. Ficam sujeitas também à tirania das circunstâncias. Esta também é uma verdade cruel. Em nossas discus¬sões políticas diárias, achamos muito importante saber se um indivíduo é da direita ou da esquerda, liberal ou conservador, um expoente da livre iniciativa
ou do socialismo. Não percebemos que, amiúde, as circunstâncias sobreveem e forçam todos a uma mesma atitude - ou todos que se preocupam em sobre-viver. Se for preciso acabar com a poluição do ar a fim de que possamos respirar, ou evitar o desemprego ou a inflação para provar nossa competência na admi¬nistração econômica, então não existe grande diferença entre o que conserva dores, liberais ou social-democratas serão forçados a fazer. As opções, infeliz¬mente, são poucas.
Outrossim, seria melhor não fecharmos os nossos olhos demais diante da idéia de interesses escusos. As pessoas têm uma tendência pertinaz de pro-teger seus bens, de justificar o que desejam possuir. E por isso sua tendência é de ver como cenas as idéias que servem a esse propósito. As idéias podem ser superiores aos interesses escusos. Mas com muita freqüência podem também ser produto de interesses escusos.
Keynes proporciona a oportunidade de se examinar as idéias que inter¬pretam o moderno capitalismo - ou o moderno socialismo - e que dirigem as nossas ações por conseqüência. É de se presumir que se saiba pelo que se é governado.
Isso é verdadeiro, embora Keynes tenha exagerado em sua argumen-tação. Pois que, em assuntos econômicos, as decisões não são influenciadas somente por idéias e interesses econômicos escusos. Ficam sujeitas também à tirania das circunstâncias. Esta também é uma verdade cruel. Em nossas discus¬sões políticas diárias, achamos muito importante saber se um indivíduo é da direita ou da esquerda, liberal ou conservador, um expoente da livre iniciativa
ou do socialismo. Não percebemos que, amiúde, as circunstâncias sobreveem e forçam todos a uma mesma atitude - ou todos que se preocupam em sobre-viver. Se for preciso acabar com a poluição do ar a fim de que possamos respirar, ou evitar o desemprego ou a inflação para provar nossa competência na admi¬nistração econômica, então não existe grande diferença entre o que conserva dores, liberais ou social-democratas serão forçados a fazer. As opções, infeliz¬mente, são poucas.
Outrossim, seria melhor não fecharmos os nossos olhos demais diante da idéia de interesses escusos. As pessoas têm uma tendência pertinaz de pro-teger seus bens, de justificar o que desejam possuir. E por isso sua tendência é de ver como cenas as idéias que servem a esse propósito. As idéias podem ser superiores aos interesses escusos. Mas com muita freqüência podem também ser produto de interesses escusos.
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