Voltar ao topo
Coringa - novo - out s
Busca
Previsão do Tempo
Maceió/AL
Máx. 28° Min. 21°
Redes Sociais
Blogs
           
  • Alan Rodrigues

  • Crédito Caro: Razões Estruturais

    05 de Maio de 2012
    • Orkut Button Share

           
    Crédito Caro: Razões Estruturais

    Insatisfeito com o ritmo de crescimento do país o governo resolveu travar uma quebra de braço com os bancos objetivando a diminuição do spread bancário, a diferença das taxas de juros médias em que os bancos captam dinheiro e emprestam. O seu sucesso, por sua vez, possibilitaria o acesso de mais pessoas ao crédito mais barato e aumentaria a capacidade de endividamento das famílias, dando continuidade a um modelo de crescimento pautado sob o consumo, o qual foi o motor do crescimento na década passada, com média de 3,6% ao ano. O spread praticado no Brasil é de fato absurdo se comparado a qualquer outro país que esteja sob as condições políticas e econômicas equiparáveis, no entanto o que no fundo o governo quer é achar um bode expiatório para explicar a morosidade que se encontra a economia.


    As variáveis que explicam o alto preço do crédito são muitas, destacando-se os elevados impostos que incidem sob as operações financeiras, os depósitos compulsórios, que são depósitos à vista feitos pelos bancos junto ao Banco Central como uma garantia de liquidez, e a elevada inadimplência. Na média dos últimos anos o percentual do spread bancário que cabe estes três itens gira em torno dos 55% e a parcela de lucro de 29%. Outro fator é a alta parcela das dívidas dos brasileiros em linhas de crédito de curtíssimo prazo que não dão nenhuma garantia aos bancos, como é o caso do cheque especial e do cartão de crédito. Aliás, isso é também um fator gerador do alto índice de inadimplência, que incide no cálculo do spread.


    Quanto a isso, os bancos encontram enormes dificuldades em poder distinguir os bons clientes dos maus, isso acaba gerando insegurança na hora de conceder crédito e por isso é cobrado uma taxa de juros média da que seria cobrada para os bons pagadores e dos maus pagadores. A consequência disso é uma distorção econômica que gera menos potencial de lucro para os bancos em menos bem estar para a população. Unindo-se a isso está o fato de as leis brasileiras ainda serem muito condescendentes com os devedores. Até pouco tempo atrás era muito difícil um banco reaver um imóvel de um inadimplente. Hoje os imóveis só são transferidos de fato para os donos após o termino do pagamento, o que facilita na hora do banco tomar o imóvel de volta.


    No entanto, talvez o grande vilão seja mesmo a dívida pública. O Tesouro Nacional é o grande tomador de empréstimo do mercado, com 1,9 trilhões em títulos, e precisa pegar dinheiro dos bancos constantemente para honrar com seus compromissos. Mas esse é um bom negócio para os bancos, pois o governo paga uma rentabilidade elevada pelos seus títulos e oferece liquidez e segurança. Com isso o dinheiro disponível para crédito em outras operações fica mais escasso.


    De todo modo, os bancos públicos atenderam as exigências do governo e baixaram as taxas de juros para empréstimos e financiamentos com a esperança de criar um clima de concorrência, mas dificilmente essa medida será seguida pelos bancos privados porque os bancos não estão preocupados com a parcela do mercado em crédito e sim com a rentabilidade de seu patrimônio líquido. O fato é que os bancos privados irão apenas reduzir pontualmente as taxas de juros para uma ou outra operação e para um ou outro cliente como uma medida apenas de marketing.


    É bem provável que esse movimento de queda das taxas de juros pelo método impositivo do governo não perpetue por muito tempo e eventualmente retroceda com a já esperada guinada da inflação para o próximo ano. É aí então que o governo pode voltar os olhos para as questões estruturais que emperram o avanço do crédito no Brasil. Afinal, é errando que se aprende.


     


    Por Daniel Góes Cavalcante*


     


    *É alagoano, economista e mestrando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), e colaborador da Coluna CONEXÃO BRASÍLIA, publicada por Alan Rodrigues, no caderno B do Jornal Alagoas em Tempo, todas as segundas-feiras.


     


    Confira a coluna CONEXÃO BRASÍLIA, como na versão impressa, no site: www.alanrodrigues.blog.com

  • Juros Podem Cair Ainda Mais

    28 de Abril de 2012
    • Orkut Button Share

           
    Juros Podem Cair Ainda Mais

    A ata do Copom referente à reunião do último dia 18 de abril indica que o Banco Central mudou de opinião quanto à intenção de permanência da taxa de juros SELIC no patamar de 9% ao ano, como sinalizara a ata anterior. Agora o Banco Central deixa no ar a possibilidade de uma nova queda da taxa de juros e isso se deve ao fraco desempenho da economia apresentado nos primeiros meses do ano. A Fiesp prevê uma alta de 0,7% no 1º trimestre desse ano frente ao 4º trimestre do ano passado, um ritmo fraco para um trimestre normalmente mais forte e que dificulta o alcance do crescimento esperado pelo mercado, que é de 3,5%.


    Com a queda da taxa de juros o Banco Central espera liberar a oferta monetária para que a economia volte ao patamar de crescimento de 4% ao ano. O afrouxamento monetário significa dizer que com tal patamar de taxa de juros a disposição das famílias para consumir aumenta, assim como a intenção das empresas em investir. Todavia, a demanda é muito volátil, principalmente a das famílias, e esse aumento da oferta monetária pode mudar o caminho da taxa de inflação, que converge agora para um patamar abaixo de 5% ao ano, e forçaria o Banco Central a subir a taxa de juros novamente. No entanto, esse é um risco que se tem que correr e uma nova queda da taxa de juros seria providencial.


     


    Por Daniel Góes Cavalcante*


     


    *É alagoano, economista e mestrando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), e a partir deste dia 30 de abril de 2012 será participante da Coluna CONEXÃO BRASÍLIA, publicada por Alan Rodrigues, no caderno B do Jornal Alagoas em Tempo, todas às segundas-feiras.

  • Concessão ou Privatização?

    16 de Fevereiro de 2012
    • Orkut Button Share

           
    Concessão ou Privatização?

    Após o Governo Federal conceder a administração de três aeroportos brasileiros – em Guarulhos, Campinas e Brasília – à iniciativa privada, surgiram rumores na imprensa e nos movimentos sindicais de que o governo petista estaria finalmente aceitando as “posições neoliberais e privatizantes” do governo Fernando Henrique Cardoso, o que causou grande polêmica em ambos os lados. Apenas peço que a insensatez das discussões seja sobreposta pela racionalidade necessária para se tomar decisões político-econômicas.


    Qualquer governo com um projeto nacional sério deve ter como fim maior o bem estar de seu povo, e não o controle de empresas em vários setores e inúmeras posses, para se tornar o grande estado: "um monstro com vários tentáculos”, como acusava Milton Friedman. Contudo, em alguns casos, o monopólio estatal pode sim contribuir para o bem estar nacional, mas é importante ficar claro que nem sempre ele é positivo. Quando o governo realiza uma tarefa que a iniciativa privada não tem interesse, ou quando o governo consegue assegurar a oferta de um serviço a um preço justo por meio de um monopólio natural, sem dúvida, o bem estar social aumenta.


    Visando o incentivo à competitividade, com preços mais justos, serviços de melhor qualidade e maior difusão, o Governo Federal realizou privatizações na Era FHC e concessões na Era Lula/Dilma. Só leigos não percebem o quanto isso foi importante para dinamizar a economia brasileira. Pensamento típico da cultura nacional antiprivatização e setor privado, um deprimente resquício do socialismo latino americano que, na prática, pouco contribuiu para o enriquecimento da região, como ja lembrou Mario Vargas Llosa.


    A maior eficiência das empresas privadas é consequência da gestão responsável, que prima pela saúde financeira e pela excelência nos serviços. Além disso, a tomada de decisões no setor privado é mais ágil, pois não é necessário realizar concursos para contratação de funcionários ou licitações para a compra de materiais, por exemplo.


    Já as empresas públicas, como sabemos, sofrem intervenções políticas de forma direta ou indireta, o que compromete seu desempenho final. Outro problema é que elas são inerentemente instáveis, dependendo da sorte dos gestores em seu comando. A lentidão para agir nas empresas públicas tem o motivo da transparência, que apesar de ser coerente, no dia-a-dia diminui a eficiência administrativa .


    Assim, a cada situação deve ser feito um julgamento diferente, em alguns casos é melhor privatizar, em outros um monopólio estatal, e em alguns realizar a concessão por alguns anos às empresas privadas, que pagam ao governo pelo direito de uso, como em um arrendamento de terra. O fundamental é que o governo ponha suas agências reguladoras para fiscalizar e cobrar efetivamente tanto as empresas estatais, como as privadas proprietárias e as privadas que administram uma concessão pública, para que todas elas ofertem, a preços satisfatórios, bons e disseminados serviços ou bens.


     


    >> Alan Rodrigues, natural de Alagoas, é graduando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). Escreve a coluna de política nacional CONEXÃO BRASÍLIA, que é publicada todas às segundas-feiras no caderno B do jornal Alagoas em Tempo, e neste blog sobre temas diversos.


    Leia a CONEXÃO BRASÍLIA em: www.alanrodrigues.blog.com


    >>twitter: @rodriguesalan


    >>e-mail: alanrodrigues@live.com

  • Desordem e Regresso nas “Traipus”

    09 de Novembro de 2011
    • Orkut Button Share

           
    Desordem e Regresso nas “Traipus”

    Não é desconhecido o fato de que impera no nordeste uma cultura política com resquícios do coronelismo. Pois bem, nos interiores ela é ainda mais evidente. Nesses locais há pouca ou quase nenhuma distinção entre o público e o privado. A síntese é que grupos políticos se revezam no poder, sem programas de governo, numa política mesquinha, ignorante e ultrapassada, apenas com o objetivo de privatizar ao máximo o bem público, em seu próprio favor.


    A cidade alagoana de Traipu é um modelo deste tipo de política. Seu prefeito atual, que ocupa com sua família o poder a quase 12 anos, está foragido. Ele é acusado de diversos tipos de irregularidades, especula-se que haja mais de 20 milhões em desvios. Vale ressaltar que ele já ficou preso 10 meses, depois de ser deflagrada uma operação chamada Carranca. Sua esposa e nora foram presas, por alguns dias, numa outra operação chamada Mascoth, em que recursos para a merenda escolar eram revertidos em itens de luxo para o consumo da família do mandatário. Por fim, a terceira operação em que foram quase pegos foi a Tabanga, deflagrada há alguns meses atrás. Como tudo é em família, o ex-prefeito era seu sobrinho, e o sucessor deve ser seu filho, ou novamente o sobrinho.


    Traipu tem em seu histórico também outro prefeito, com que foi afastado diversas vezes, por desvios de recursos da educação, e a “criação” de escolas fantasmas. Sem dúvida eram outros tempos aqueles. A Polícia Federal era menos equipada, menos independente e, portanto, mais inoperante. Hoje, a classe política têm tido mais receio, pois o sentimento de impunidade total tem diminuído. Mas ainda assim, alguns “honoráveis bandidos” não demonstram muito preocupação com os crimes que fazem. Não existe responsabilidade na gestão.


    O clientelismo e a coação são os pilares de sustentação de políticos nesses interiores. Não há escolha da população, o estado é o político. Ele tem total controle do que se passa nesses locais. Em alguns municípios o prefeito tem os diversos poderes, seja o legislativo, ou o judiciário. Este não é o caso de Traipu, atualmente. Enfim, usa-se todo o aparato da administração municipal a seu bel prazer, de forma indiscriminada, injusta, e em seu próprio favor. A ignorância da população local só reafirma este “direito”, e os que se opõem são execrados.


    Não é intencional criticar diretamente figura A ou B, mas sim o sistema vigente. É motivo de indignação a triste perspectiva para esses interiores. Fadados ao regresso, e a desordem, a única opção para os residentes ambiciosos é deixá-lo. Os que tentam progredir ligados a cidade natal têm extrema dificuldade, caso queiram adotar posição de independência, se não estiverem bajulando alguma autoridade.


    É bem verdade que essas cidades recebem um montante considerável de repasses federais mensais, que pouco é despendido de forma correta aos fins que se destinam. O fato é que há muito pouco investimento público nesses locais, todos os recursos se transformam em gastos correntes. Apesar de a miséria ser um pouco atenuada, as chances de progresso são quase nulas.


    Urge-se, portanto, cada vez mais fiscalização nesses municípios, intervenções dos governos superiores nas gestões dos recursos, e mecanismos de controles mais eficazes, assim como a exigência de projetos desenvolvimentistas para aplicação. A independência de gestão deve ser limitada, para o próprio bem do município. Onde não existe democracia de fato não pode haver liberdade para a condução de políticas. Não obstante, os primeiros passos têm sido dados, o importante é o prosseguimento neste caminho, com fiscalização e punição exemplar. Só assim as populações interioranas não serão reféns de loucos e irresponsáveis.


     


     


    >> Alan Rodrigues é estudante de Economia da UFAL, e está atualmente na Universidade de Brasília. É também correspondente político do Alagoas em Tempo, na coluna CONEXÃO BRASÍLIA, no caderno b, todas às segundas-feiras.


     


    Leia as colunas anteriores: www.alanrodrigues.blog.com


    >>twitter: @rodriguesalan


    >>e-mail: alanrodrigues@live.com

  • O SONHO DE RENAN: SER GOVERNADOR

    26 de Outubro de 2011
    • Orkut Button Share

           
    O SONHO DE RENAN: SER GOVERNADOR

    Não é exagero afirmar que Renan Calheiros é um dos políticos mais habilidosos do país. Sua importância no governo FHC era crescente, quando foi ministro da justiça. Logo depois, no governo Lula, atingiu o auge de sua carreira, quando desempenhou papel fundamental na estabilidade política do PT, garantindo a aliança com o PMDB. Renan, como popularmente se diz, tem “faro” para a política. Sendo um dos líderes de seu partido, não foi muito complicado chegar à presidência do Senado, casa legislativa a qual faz parte há 17 anos, e está em seu terceiro mandato.


    Como bom conhecedor das articulações de Brasília, Renan Calheiros é importantíssimo para a captação de recursos federais, que depende bastante de lobby político. Portanto, apesar de expor Alagoas nacionalmente de forma negativa, Renan tem força política superior a muitos outros senadores de grandes estados, e nas configurações políticas, se mostra indispensável ao estado.


    Mesmo depois de todos os acontecimentos que o tiraram da presidência do Senado, depois de longo desgaste, Renan se recuperou e hoje é líder do PMDB no Senado. Mas o menino de Murici quer fazer o caminho de volta, e planeja ser governador de Alagoas, um sonho antigo, e que ficou muito perto de seu alcance.


    É bem lembrado pelos alagoanos que Renan se candidatou ao governo contra Geraldo Bulhões, candidato fraco, mas que tinha o apoio importante de Fernando Collor. Abertas as urnas, Geraldo Bulhões saiu com a vitória, num acontecimento político muito mal explicado, e que Renan não digeriu facilmente.


    Contudo, a liderança de Renan é originalmente sua, não foi fruto de padrinhos, ou seja, foi uma força emanada legitimamente do povo, prova disso é que aos 23 anos de idade, ele conseguiu se eleger deputado estadual, com o apoio dos movimentos estudantis. Era a época em que o estudante de direito da Universidade Federal de Alagoas, que levou mais de 7 anos para se formar e quase foi jubilado, já fazia política como profissão. O garoto de Murici era líder do diretório acadêmico, mais à esquerda do que hoje, ele fazia críticas aos coronéis, ao status quo, e aos herdeiros políticos, como Collor. Ironicamente, ou não, esses traços ficaram apenas no passado.


    Depois da bela e atípica trajetória de movimento estudantil, que o levou ao poder, Renan foi se posicionando mais à direita (na prática) e mais ao centro (na teoria). Hoje ele desempenha no estado um papel similar, embora não estereotipado, do coronel do interior, que conta com o apoio de vários prefeitos, vereadores, deputados e outros políticos, estes que também dependem dele, ou seja, há uma relação de interdependência entre quem apóia Renan, e quem é apoiado por ele. Num estado pequeno, onde os bem sucedidos são os bem relacionados, ser amigo de Renan é indispensável.


    Na política há mais de 35 anos, Renan conhece tudo e todos.  Inteligente como só ele, não coleciona muitos inimigos, enfim, é político em todos os sentidos. Desta maneira não preza muito por ideologia alguma, e agindo por conveniências se mostra um pragmático por excelência. O leitor pode até se repugnar, mas não deve idealizar a política perfeita, pois se a política ideal é perfeita, ela deixa de ser política, já que acima de tudo a política e o político são práticos, e à rigor reflexos ou produto de um povo, e nenhum povo é perfeito (refiro-me tanto aos eleitores quanto aos políticos).


    Fugindo de discussões filosóficas, devemos concluir que Renan, é digno de expressiva força política em âmbito estadual e nacional, assim se configura como um forte candidato ao governo. Obviamente, para se eleger está ele disposto a unir gregos e troianos em torno de seu nome, como já provou diversas vezes. Resta saber se Alagoas num eventual governo de Calheiros irá, de fato, ganhar ou perder.  O ceticismo me domina, contudo não há muito a se fazer, como Téo Vilela não tem sucessor, não dúvidas que Renan vai vencer.


     


     


    >> Alan Rodrigues é estudante de Economia da UFAL, e está atualmente na Universidade de Brasília. É também correspondente político do Alagoas em Tempo, na coluna CONEXÃO BRASÍLIA, no caderno b, todas às segundas-feiras.


    Leia as colunas anteriores: www.alanrodrigues.blog.com


    >>twitter: @rodriguesalan


    >>e-mail: alanrodrigues@live.com

anterior12345próximo
Serviços
© Copyright 2011 Alagoas em Tempo Real
VG/Web - Agência Digital